sábado, 30 de outubro de 2010

Para feriado chuvoso, monólogo

- Com licença, onde poderei encontrar?
Silêncio.
- Alguém pode ouvir?
Novamente, silêncio, agora profundo, em meio a multidão. Até que surge um sussurro, feminino, que só pode ser notado devido a sensibilidade.
- Todos a ouviram, mas não capazes de responder. Procuram a mesma resposta, ainda após...
- Espere. Diga, o que é certo? Por qual caminho? Hã? Adiante? Retroceder?
Doloroso silêncio, interrompido por seu soluço e lágrimas. Algum tempo a seguir... suspira, respira.
- Mesmo no silêncio, não desistirei de seguir.
Ela desperta, olha para a fina luz que adentra seu pequeno dormitório, refletindo nos belos móveis de madeira, seguindo por seus livros e chegando até suas mãos. Concorda com seu próprio olhar, intenso. Deleitada, por aquilo que conseguiu salvar em sua lembrança, ergue-se.
- A música, a arte, este simples manuscrito mostra que estou viva. Preciso somente disso. 


Ah, quando digo somente, sei que é grandioso para mim, basta. 
Além das barreiras que ainda não conheci, sei que chegarei. 
Se conseguirei? Será possível responder somente quando... na passagem final por aquela porta que ainda não conheço a existência. Você, não conhece, o outro e a outra, eles também não passaram ainda por lá.

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