sábado, 30 de outubro de 2010

Para feriado chuvoso, monólogo

- Com licença, onde poderei encontrar?
Silêncio.
- Alguém pode ouvir?
Novamente, silêncio, agora profundo, em meio a multidão. Até que surge um sussurro, feminino, que só pode ser notado devido a sensibilidade.
- Todos a ouviram, mas não capazes de responder. Procuram a mesma resposta, ainda após...
- Espere. Diga, o que é certo? Por qual caminho? Hã? Adiante? Retroceder?
Doloroso silêncio, interrompido por seu soluço e lágrimas. Algum tempo a seguir... suspira, respira.
- Mesmo no silêncio, não desistirei de seguir.
Ela desperta, olha para a fina luz que adentra seu pequeno dormitório, refletindo nos belos móveis de madeira, seguindo por seus livros e chegando até suas mãos. Concorda com seu próprio olhar, intenso. Deleitada, por aquilo que conseguiu salvar em sua lembrança, ergue-se.
- A música, a arte, este simples manuscrito mostra que estou viva. Preciso somente disso. 


Ah, quando digo somente, sei que é grandioso para mim, basta. 
Além das barreiras que ainda não conheci, sei que chegarei. 
Se conseguirei? Será possível responder somente quando... na passagem final por aquela porta que ainda não conheço a existência. Você, não conhece, o outro e a outra, eles também não passaram ainda por lá.

Conta-se no relógio... Somente!

Hoje, decido-me, não desistirei da luta. 
Largo para trás os arrependimentos, as atitudes já foram tomadas, e ponto, fim.
Incrível é, foi, será, este fluxo de pensamentos, olhares, ações, que morreremos sem compreender, mas continuaremos tentando, enquanto vivermos, será para isso. Somente? 
A nostalgia por vezes, faz-me bem, lágrimas trás aos meus olhos, não é ruim, é rápida, rastejante, flutuante, voadora, internamente bem viva, bem-vinda, estonteante. 
O que há de ser, somente? 
Cheio de medos, deserto, de certo a espera, a busca de eternas, internas, externas soluções.
Terei 96 horas para utilizar, mudar o próprio destino. Minutos por vir, quantos já se foram, inutilizados? 

Outro episódio, talvez o mesmo?!

Aqui, não posso registrar as lembranças das coisas, porque faltou coragem de fazer, os sorrisos que não dei, as lágrimas que deveriam ter sido derramadas. É uma tensão, adormecida, que não sabia descrever até ter sido perguntada. Confesso que ainda não sei. Como estaria hoje, se as atitudes fossem diferentes? Morrerei com tal dúvida, mas morrer com ela, me incomoda.

Um episódio

Talvez, tenha sido a mais precoce, veloz, decepção, da semana. E também, um convite delicioso, feito e logo desfeito.
Não cobro explicações. Apenas indago, por qual motivo preciso ver as coisas tão claramente? Seria mais fácil aceitar, sem questionar, ficar feliz, pelo pouco que está ao alcance das mãos.
Tão logo, pode ser que não haja sentido algum em tais palavras, hoje, são de grande valor.

Quando falta assunto...

É o que podemos sentir: aquilo que quiser,
e expressar do modo que quiser.
Aventurar-se sem temer
repreensão
solidão


Afinal, o castigo,
vem de nós,
nós mesmos


De lugar nenhum
e segue 
novamente para ele.